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Em menos de um ano, preço do diesel subiu 121 vezes e acumulou alta de 56,5%


A política de preços adotada em 03 de julho de 2017 pela Petrobras foi responsável pelo aumento de 56,5% no litro do óleo diesel nas refinarias, segundo dados da “ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis”.

Entre 03 de julho de 2017 e 22 de maio de 2018, quando ocorre o mais recente reajuste programado, o combustível subiu 121 vezes.

Somente neste ano, ainda segundo a ANP, o diesel subiu 38 vezes.

As altas consecutivas motivaram a paralisação de caminhoneiros nesta segunda-feira, 21 de maio de 2018, em 19 estados e no Distrito Federal.

De acordo com a CNTA – Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, houve o registro de 188 pontos de paralisação no país, dos quais, sete na região Norte, 38 no Centro-Oeste, 27 no Nordeste, 55 no Sul e 61, no Sudeste, a maior parte em São Paulo e Minas Gerais.

A Abcam – Associação Brasileira dos Caminhoneiros diz que ao menos 350 mil caminhoneiros pararam em algum momento nesta segunda-feira.

Muitas rodovias foram bloqueadas com pneus em chamas.

Profissionais autônomos ou mesmo empresas transportadoras dizem que o setor não está suportando mais os reajustes. Segundo os transportadores de carga, não é possível repassar todos os aumentos para os fretes, o que prejudicaria a competitividade e a viabilidade das viagens.

O setor de transportes de passageiros também diz sentir.

A NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que reúne mais de 500 viações de linhas urbanas e metropolitanas, informou que somente neste ano, os reajustes consecutivos do diesel causaram um impacto de R$ 1 bilhão no setor.

Como as tarifas de ônibus são reguladas, e não podem variar ao longo do ano, os donos de empresas dizem que o resultado é redução nos investimentos em frota nova e qualidade dos serviços.

Diante da pressão, o governo federal admite que pode haver mudanças na política de preços.

O assunto foi discutido pelo Presidente Michel Temer e a cúpula do Governo.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse antes do encontro que um dos objetivos é ter maior controle e previsibilidade sobre os aumentos.

“Temos uma política internacional de preços que a Petrobras acompanha diariamente e isso tem dado aumento. O dólar subindo e o petróleo subindo, os dois subindo internacionalmente, por certo, tínhamos que ter um aumento nos combustíveis” – disse o ministro, em entrevista coletiva.

“O que vamos tentar agora, e o presidente está presidindo a reunião, é que vamos ver se encontramos um ponto para que possa ter um pouco mais de controle deste processo, para que os maiores interessados, o cidadão brasileiro e também os transportadores, possam ter previsibilidade em relação ao que vai acontecer”.

Após acumular prejuízos devido a congelamentos de preços em épocas eleitorais e à corrupção, com os casos de propinas investigados pela Operação Lava-Jato, a Petrobras, já sob o governo Temer, decidiu acompanhar os preços internacionais do Petróleo.

A medida não é unanimidade.

Uma corrente de economistas diz que, apesar de amargo, é o melhor remédio para que os combustíveis não sejam subsidiados por outras áreas, como ocorreu por anos. Entretanto, há economistas que alegam que a saída é só para recuperar prejuízo da corrupção e da má administração ao longo do tempo, já que, como produtor de petróleo em larga escala, o Brasil não precisaria repassar toda a variação do preço internacional.

Segundo a ANP, de cada litro do diesel vendido nos postos, as refinarias da Petrobras ficam com 55% do valor. Os governos (estaduais e federal) abocanham 29% , em forma de impostos. As distribuidoras ficam com 9% do valor e os fornecedores de biocombustível inserido no diesel ficam com 7%.


Fonte: FRESP

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